A Nouvelle Vague, Tchecov e Kusturica
Esbarrei em algumas preciosidades acontecendo por aí, biscoito fino, uva de cacho e saci-pererê, como diz um amigo meu...ei-las caríssimo e raríssimo (graças à Deus) leitor: Em São Paulo, uma pequena maratona me chama atenção pela delicadeza da seleção das latinhas e importância dos diretores no cenário fílmico mundial. Clássicos da Nouvelle Vague como: "Conto de Verão", "Conto de Primavera", "Conto de Outono" e "Conto de Inverno", de Eric Rohmer; "Os Incompreendidos"(premiado em Cannes - melhor diretor), "Beijos Proibidos", "Amor em Fuga", e "Domicilio Conjugal" de François Truffaut; além de "A Pequena Lili", de Claude Miller. Não julgue o valor apenas pelo rótulo - Nouvelle Vague - apesar de achar que já seria motivo suficiente para conferir, mas, porém, contudo, entretanto, todavia, sei que leitores exigentes precisam de apelos fortes, então lá vai, sigo apelando: a série de filmes de Truffaut é protagonizada pelo personagem Antoine Doinel (interpretado pelo ator Jean Pierre Léaud), no qual o diretor projetou claramente a sua biografia...agora olha os títulos de novo. Olhou? Não te bate uma curiosidade? Vai lá...E mais, "A Pequena Lili", apesar de ser um filme recente (2003), é uma boa adaptação livre da obra de Tchecov, mais precisamente de "A Gaivota". Deu pra atiçar a curiosidade? Que bom...
Tem mais: "A Vida é um Milagre", de Emir Kusturica...bom, do Emir eu preciso dizer alguma coisa? Iuguslavo, consagrado em Cannes, Berlim e Veneza, vencedor do "César" na França (empatado com "Apenas um Beijo", de Ken Loach), badalado, cultuado e detestado, enfim, é a banana mais madura do cacho...e sobre o filme? "A Vida é um Milagre" se passa na Bósnia, em 1992, tem uma ferrovia como personagem principal, e...ah, não vou tirar o prazer de vocês...mas é bom que se diga: Kusturica não é fácil, nem se propõe à digerir sua obra, portanto cuidado com as armadilhas e com os preconceitos...no mais, bom filme!
Um breve esclarecimento: ainda não tive vontade de ler o artigo em que Coutinho chama Moore de "populista de esquerda", mas reforço o que já afirmei: DOU RAZÃO À EDUARDO...
Minha preguiça e Coutinho, Zampari e sua memória...
Zapeando em plena internet...assim me encontrei em pleno ócio, desmentindo qualquer teoria de objetividade ou coisa mais séria. Encontro uma entrevista de Coutinho chamando Moore de "Populista de esquerda". Tudo bem, se me der ao trabalho de ler a matéria, com toda certeza encontrarei motivos para concordar com Eduardo, mas...estou com preguiça! Não de concordar, mas de ler! Sigo em frente, quero algo mais "menos polêmico"...papo de cá, zap de lá, nada...mas (olha meu "mas" de manga), lembrei de algo que me incomoda...alguns dirão em advertência passiva: "Mas você não queria algo menos polêmico?" Pois é, queria, mas o sangue é quente e minha elegância dura pouco...vamos à lembrança: Responda com toda sinceridade que lhe é peculiar, quem foi Franco Zampari? Quer tempo? Desiste? Imaginei...mas não se sinta sozinho, muitos nem desconfiam da importância deste homem para o cinema brasileiro da silva...problemas com a memória ou ignorância completa, não importa a causa, fato é que, cada vez mais, as universidades formam técnicos de cinema, daqueles que ligam a câmera, mexem em máquinas digitais, gostam de Spielberg, tem egos gigantescos, educação...mas são tão profundos como uma colher de sobremesa. Que foi, você não vestiu a carapuça? Ótimo! Então por que não respondeu quem foi Franco Zampari? Sei...te ajudo: Este italiano de nascimento foi o responsável pelo surgimento de duas referências nacionais: o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), e a Cia. Vera Cruz de Cinema. Me ater ao TBC é chover no molhado, o que me encanta é a Vera Cruz e seu slogan 'Do Planalto abençoado para as telas do mundo"...
Um pouco de poeira: desde o início, a proposta de Zampari era industrializar a produção de cinema no Brasil aos moldes de Hollywood e, para isso, não poupou esforços contratando nomes de peso como: Alberto Cavalcanti, Oswald Hafenrichter, Henry Fowle, Eric Rasmussen, Adolfo Celi, entre outros. Franco sozinho não dispunha de todos os recursos necessários para tal empreitada, por isso, além de buscar sociedade com importantes mecenas da época, tratou de beneficiar-se de um dispositivo legal que isentava de impostos a importação de equipamentos cinematográficos destinados à estúdios e laboratórios, assim nasceram os estúdios em São Bernardo do Campo. Tudo bem, constantemente a visão cosmopolita da Vera Cruz impunha-lhe a acusação de não retratar o Brasil nas telas (crítica feita inclusive por Gláuber uma década depois), mas é inegável a importância dessa epopéia Zampariana para o cinema nacional, o cinema de escala, a produção em série de latinhas como: "O Cangaceiro", de Lima Barreto (vencedor de Cannes), "Sai da Frente", de Abílio Pereira de Almeida, ou a comédia sofisticada, "É Proibido Beijar", de Ugo Lombardi; tudo isso nasceu da cabeça deste ítalo-maluco-brasileiro, e representa um marco em nossa filmografia, quer queiram, quer esqueçam...ajudei? Espero que sim...no mais, é história, nomes, datas, só não se esqueça deste nome: Cia. Vera Cruz.
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