Não ao não e ao papo de gringo

Prefiro que me matem por dizer, que me parabenizem pela omissão...deveria começar de um jeito mais calmo, ou quem sabe educadamente dizer um "Oi" aos poucos leitores que ainda tenho...mas, e sempre coloco um "mas" a mais, sou um complicador por vocação...vamos às minhas lamúrias: Não estava em Cuba quando Garcia Marques encerrou seu curso-oficina de roteiros na Escola Internacional de Cinema e Televisão de Havana...Não aplaudi Coutinho na entrega do Candango em Brasília...Não chamei Babenco de idiota, nem participei das cartas manifesto contra ou à favor da ANCINAV...Não fui à confraternização da ABCine em São Paulo... Não disse não à ninguém que me dissesse sim...Não terminei um roteiro, nem deixei de lado...Não me dou por vencido...enfim, tantos "nãos" entram pela porta da frente que não poderia deixá-los de lado...ei-los meus leitores e tantos outros que guardo na minha impáfia idiocrata de achar que digo sim à tudo...alguém entendeu alguma coisa? Não? Pano...

"Diários de Motocicleta", do Waltinho, está entre os pré-indicados ao "Globo de Ouro"...como esses gringos gostam de Pré-indicar...me diga, estou ranzinza demais ou procede? Vejamos: Pré-selecionados ao Oscar, pré-inscritos no Sundance, pré-indicados à Miami...parem! Quem pré-indica pode pré-julgar...pensem nisso, e junte à esse mafuá a grana das Major's, o quanto representa uma "pré-indicação"....alcançou? Não? De novo: pense no Oscar, só de pensar me vem a imagem do Oswald na cabeça...sai daí! Continuemos...Existem os filmes "ganhadores", que arrebanham milhões pelo mundo às salas de cinema, tem os "indicados" que seguem o mesmo caminho, embora com menos força, e tem os "pré-indicados", esses fazem parte da categoria criada pela indústria para alavancar às cifras dantescas produções digamos menos "Blockbusterianas", foi agora? É tudo grana, e quem disser o contrário levou algum...radical, eu? Pode ser, mas nenhum gringo me força a ir ao cinema ver pirotecnia gratuita por um Oscar...comprei briga nessa...ai...emails com carinho, por favor...cineastas, uní-vos!!!

A Simplicidade, o Perfeccionismo e o Amor

Quanto vale a criatividade? Há quem seja refém dela...quem procure nela a justificativa para o experimentalismo, o vanguardismo latente, as loucuras narrativas, etc, etc...mas quanto vale? Dificil essa? Eu sei...vejam: Nesta semana viví um problemão criativo, um roteiro pronto, último tratamento, tudo certo e...faltava o título! Tá bom, tá bom...alguns dirão: "Que raio de roteirista é esse que escreve o texto e esquece do título?" Sei lá, mas fato é que faltava o título...nessas horas, diz um amigo meu, o melhor é deixar o texto descançar, fumar um cigarro, esquecer da vida...foi o que fiz: sombra e água fresca para o texto, cigarro, bom, eu não fumo, mas esquecí da vida...adiantou? Nada...o título não vinha nem com reza forte! Eis que aparece a filha de um amigo meu, Patrícia (7 Anos). Papo vai, papo vem, e lá pelas tantas ela ouvindo nossa conversa, sai com a seguinte pérola: "Tio, Filma Eu?" Agora espera. Leu até aqui? Deixa eu dizer sobre o que é filme: Fama à qualquer preço, artistas descartáveis, cometas... lembra que a criança ouviu minha conversa com o pai? Que título você acha que dei para o roteiro? Ei-lo: "Tio, Filma Eu?" Por que conto isso? Simples, pois é sobre simplicidade que estou falando, e às vezes, nós cineastas ficamos mais preocupados em criar vanguardas, tendências, ou explicitar referências à grandes mestres, que não atentamos para a simplicidade...esquecemos de ser crianças e, nesse ponto, surgem hiatos criativos, tudo culpa de nosso virtuosismo egocentrico...quero meu cinema assim, longe de minhas referências, do meu lado vaidoso, no mais, recorro à Patricia...

"Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro", ou "Curta Cinema", se preferir...assistí alguns filmes e preciso falar de dois biscoitos finos: "Ninguém Suporta a Glória", de Adriano Lírio e Luzios Rueedi; e "ID", de Indira Dominici. Sobre o filme do Adriano e do Luzios, bom, guardem esse nome: Adriano Lírio, esse rapaz já deixou de ser uma promessa como diretor, é realidade. Seu perfeccionismo merece respeito, "cabra da peste!" Como ele mesmo diz...agora, "ID" é uma surpresa para mim...pois tem uma narrativa tão simples quanto inquietante, uma montagem excelente e uma dose de tesão pelo "fazer cinematográfico"...cinema é isso! Amor, simplicidade, narrativa, perfeccionismo....essa semana estou recebendo uma aula sobre o que é ser um cineasta, e viva Patricia, Adriano e Indira! No mais, é papo de catedrático chato que vive sentado nas teses empoeiradas! Pano...

Cineastas e crianças, uní-vos!

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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 26 a 35 anos
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