O cinemão e Fessler, mas, cadê o Xexéu?

Vamos lá: todos aí? Acho que este espaço anda frequentado demais, a babel perde...recebo emails esquisitos, verdadeiras celêumas intermináveis que criticam minha falta de apego ao cinemão, outros preferem dizer que não gosto mesmo é dos EUA, "É campanha despudorada em torno de idiocracias esquerdistas e pouco ponderáveis..." reclamou um Sr., sim, um Sr., por que não vou jogar seu nome em praça pública...pra quê? Depois ele vai dizer que sou um idiota...e cá pra nós: idiocrata esquerdista, ainda vá lá, mas idiota...ah, isso eu não aguento...segue o bonde...já que esse senhor revelou-me como um anti-EUA, gostaria de dizer que não é verdade. Calma aí , eu já deixei o sr. falar, agora é minha vez...o cinema norte-americano, já deu importantes contribuições a cinematografia mundial, destaco uma, pra que não me alongue por demais: o cinema direto americano. Em oposição à escola inglesa de documentário, leia-se John Grierson, baseada em voz off, narração em terceira pessoa, trilha sonora e cenas de estúdio, e acreditando que era necessário revigorar a linguagem documental em cena até então, Robert Drew e Richard Leacock quebram as regras com "Primary". O filme mostra a última semana da disputa entre Kennedy e Humphray pela Casa Branca, e inaugura um novo fazer documental: o cinema direto, com a câmera solta, sem entrevistas, baseado no modo observacional, sem a menor interferência na realidade. Claro que esse novo fazer, e me recuso a dizer "Make-up", por que aí é demais pra mim, só foi possivel graças à renovação tecnológica dos anos 50 e 60 (ponto para os EUA!), que permitiu o surgimento de novos equipamentos, a blimpagem nas câmeras, tornando-as mais leves e silenciosas, o Nagra (gravação do som sincrônico) e, sem mencionar a influência direta dos profissionais de TV. Entendeu meu Sr.? Não sou contra os EUA, sou contra esse mercantilismo exacerbado e voraz, que sufoca filmografias mundo afora e, com isso, prejudica o trabalho de profissionais tupiniquinsdasilva como o colunista que vos fala, o câmera que não tem como falar, o roteirista que nem fala mais nada...e vai, vai, vai...

"Segundo Caderno", "O Globo", 14/11, vejo entrevista com o roteirista francês Michel Fessler ("O Menino que queria ser urso" e "T'choupi")...tá, eu podia ficar na minha, mas ele tocou em um ponto que acho fundamental, fala Fessler: "...Há muita imaginação e desejo, o que falta é prática, é trabalhar a técnica cinematográfica.", isto ele afirma para dimensionar o "fazer roteiros infantís no Brasil", mas será que não podemos aplicar essa frase para o cenário como um todo? Pensem comigo: nosso "fazer cinema" sempre esteve atrelado a ciclos, altos e baixos que, se criaram euforias lucrativas, também prejudicaram o desenvolvimento de uma regularidade produtiva, sim, afinal, nossa indústria fílmica nunca saía dos fundos do quintal, produzíamos, parávamos, vacas gordas, crises, e assim íamos até a próxima esquina...hoje, nessa re-retomada, vivemos um processo mais profissional, temos, ainda timidamente, o desenvolvimento de uma produção em escala, nossos filmes já vão pra latinha com mais segurança, enfim, caminhamos em uma direção, não mais corremos que nem loucos...digo isso porque, nosso desenvolvimento enquanto trabalhadores de cinema, também acompanhou essas fases, e só agora, há a consciência da importância da produtividade na ingerência da criatividade. Novos profissionais surgem a cada dia com essa mentalidade, fazer, repetir, filmar, fazer...isso, e só isso, permitirá o desenvolvimento de nossos cineastas, o resto é virtuosismo barato, perigoso e carente de lampejos para render bons frutos...e concordo com Michel, contra o egocentrismo francês, Machado de Assis!!!

Em conversa com Ivan Cardoso, e conversar com Ivan é sempre garantia de boas risadas e um bom papo, tive que concordar: cinema marginal hoje em dia só o dele...na próxima desfio esse pano...

Em tempo: Alguém tem notícias do Xexéu? Cineastas, uní-vos!!!

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