Zentropa e Poiccard, o resto é silêncio

"O cineasta dinamarquês Lars von Trier, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e um dos criadores do Dogma, acreditem, se prepara para rodar sua primeira produção pornô gay"(sic). Esse era o texto de chamada do email que recebi recentemente...notou algum problema? Não? Perai que eu desenrolo essa fita, vejamos: Nessa frase existem três informações que, eu diria, são fundamentais. A primeira: Lars von Trier é dinamarquês, continua lendo que eu prometo que isso aqui vai chegar em algum lugar, tenha calma...a segunda, ele foi um dos criadores do Dogma e ganhou a Palma de Ouro, a terceira, aquela que vai garantir o gancho sensacionalista indispensável para que eu, pobre leitor, tome um choque e me interesse pelo tema: ele se prepara para rodar sua primeira produção pornô gay! Tá, eu tomaria um choque se não soubesse que Lars já produziu três filmes pornôs, sim querido leitor, pornôs aqui significa sexo explícito, gemidos e sacanagens, foram eles: "Pink Prision", "Constance" e "All About Anna". Eu ficaria de boca caída se também não soubesse que Trier, muito antes de ganhar a Palma de ouro em Cannes com "Dançando no Escuro", criar o Dogma, ou ser ovacionado por "Dogville", já rodara seus porn-chics baseados no "Puzzy Power Manifesto", ou seja, emoção e sensualidade prioritária, roteiro verossímil, rejeição à violência, proibição de cenas sexo gratuitas e um incremento sutil do desejo. Chegou atrasada a reporter...sigamos em frente... A Zentropa, empresa de Lars, irá lançar "Hot Men Cool Boyz" (a tal produção gay) somente em DVD, mas acredito que pela repercussão deva ganhar um circuitinho alternativo na telona. Agora, depois de dadas as devidas explicações, eu pergunto novamente: Percebeu o problema? Ainda não? Eu me esforço de novo: lê a frase de chamada lá no alto do texto, leu? Pois é, ela se baseia no sensacionalismo barato, ela constrói uma imagem (vencedor da Palma de Ouro e criador do Dogma), e em seguida tenta destruir pejorativamente, tirando todo o peso classificando a obra (produção pornô gay). É nisso que se baseia a nossa imprensa da silva: na retórica de supermercado, na venda, nos ganchos irresponsáveis...em nenhum momento a "reporter" se preocupou em situar o leitor, avisá-lo que não há novidade nessa investida do dinamarquês, não...é mais fácil criar tumulto, promover barulho e esquecer verdades...

O Cine Clube Arte Sesc apresenta um clássico do cinema francês: "Acossado", de Godard, com Jean Paul Belmondo (Poiccard). Nem preciso falar que se trata de filme básico para qualquer cinéfilo que se ame! Não perde essa, vai passar na telona, tem pipoca, enfim, é no domingo dia 10/10 às 17hs. Outra boa são as sessóes "Curta Cinema" que se propõe a apresentar em programas de 90 minutos, animações e curtas tipicamente cariocas: "Chapa Quente", "O Céu de Iracema e Dadá"; além do mais, excelentes cineastas: Laís Bodansky ("Bicho de sete cabeças"); Paulo Halm ("2 perdidos numa noite suja"), entre outros... poxa imperdível! Por falar no Paulo, seu filme, "O Resto é silêncio", é todo "falado" na linguagem dos sinais, isso mesmo, experimentação pura! Dá pra ficar em casa? Depois não diga que eu não gritei, avisei, escrevi, publiquei, etc,etc. Vamos lá comer pipoca em terra estranha: Cineastas, uní-vos!!!

Corpa, Dantes e Raskolnikov: (Nothing but) Flowers

Meu abraço ao Corpani pelo prêmio no VMB, e a todos aqueles que valorizam no dia-a-dia os responsáveis por tudo: a equipe técnica. Afinal, sem o trabalho de todos, ninguém recebe um prêmio. Valeu Corpa! Bom, euforismos à parte, voltemos à vaca fria: bastou eu tocar no Deus-documental-paladino-justiceiro-fenomenal Michael Moore para choverem emails...como vocês são influenciáveis...mas tenho que respeitá-los. Talvez seja só implicância minha, birra de criança ou coisa do tipo, mas...ihh, tá, não falo nada...continua lendo vai, vamos esquecer esse pano de manga e seguir em frente...falando em VMB e em chilique, e o Caetano hein? (Nothing but) Flowers?! David Byrne, não entendeu nada, a platéia não entendeu Caetano que não entendeu a MTV, enfim, o único que entendeu alguma coisa foi João Gordo: "O chilique do caetano foi um chilique de atitude!"(sic) E ficamos nisso, pelo menos até a próxima microfonia...

Seguindo a onda das comemorações: domingo é dia de festa no Leblon, a Dantes completa 10 anos!!! Parabéns Ana Paula pela perseverança e combatividade em levar à sério o garimpo livreiro atrás das pérolas dantescas...mas voltando á festa, vai ser uma miscelãnea, bem ao estilo da livraria: de Chacal e Mimi Lessa com leitura de textos de Gláuber Rocha e Clarice Lispector, à Luccas Santana e o "Bonde dos Neguinhos", passando por Omar Salomão (filho de Wally), Flamínio Lobo dando uma de DJ, Bangalafumenga, Phylis Hulber com tradução de Jorge Salomão acompanhado por Harold Emert e seu Oboé, sem esquecer do trio de batás cubanos...dá para perder? Olha, domingão é dia de Dantes, nem que seu foco seja apenas ganhar uma camisa da livraria...

Cineminha de leve: "Nina", de Heitor Dhalia, se propõe a levar para o centro de São Paulo a São Petersburgo e os dilemas de Raskolnikov...trabalhão hein? Dostoievsky...mas, confio muito no Marçal Aquino (Roteirista) e seus nada menos que 12 tratamentos para tornar viável essa façanha. O filme já foi convidado para participar do Festival de Roterdã, e quero crer na viabilidade dessa transposição Raskolnikov/São Petersburgo - Guta Stresser/São Paulo...vale a pipoca? Vem aí o terceiro Festival Varilux de cinema francês, destaque para "Uma Amizade sem fronteiras", de François Dupeyron (prêmio Cesar para Omar Sharif - melhor ator), aí você vai dizer: Mas eu já ví no Festival do Rio... Eu sei, eu sei...essa é para quem perdeu...não marca bobeira hein? Cineastas, uní-vos!!!

Moore elege Bush, Carlinhos filma os sessenta, mas é Pitty que leva o caneco

Aqui vou eu com meu inconformismo diário...desculpa gente, mas eu preciso falar, senão morro engasgado...desta vez é sobre o Michael Moore, eu sei, eu sei, já escreví sobre esse senhor antes, já disse desaforos...tudo bem, mas o que eu posso fazer se ele não pára de me dar argumentos? Vejam só: depois de "Farenheit 9/11" faturar 118 milhões de dólares (só nos EUA), Mr. Moore se prepara para lançar o livro "Will they ever trust us again? Letters from the war zone", no qual apresenta a outra face da guerra, do ponto de vista dos soldados, ou seja, de quem realmente luta e se sacrifica...que engajado esse Moore... Só acho que esse discurso perde a legitimidade pelo mercantilismo barato em que se transforma. Vamos colocar alguns pingos nos "ís": "Farenheit 9/11" custou 6 milhões de dólares e não preciso repetir o quanto arrecadou...Colombine não passou disso também, mas vendeu bem...enfim, o que há aqui é o encontro de um publicitário e seu target! Senão vejamos, bater em Bush é rentável, tanto monetariamente quanto politicamente, além de ser fácil demais, afinal, as asneiras deste déspota são campo fértil para qualquer um, eis a mágica de Moore: sentar a piaba em Bush e lucrar horrores com isso! Por isso me sinto à vontade para afirmar que o maior cabo eleitoral de Bush nessas eleições americanas é Michael Moore, ou ele vai perder sua galinha dos ovos de ouro? (isso é paradoxal ou não?) E não me venham defender esse senhor, por que para mim ele não passa de mais um yankee de pele rosada pronto para lucrar horrores com a ignorância alheia...sejamos mais críticos e menos "maria vai com as outras", vejam pelas entrelinhas, será que, se Bush perder as eleições, Mr. Michael continuará abordando os mesmos temas? Acho que não...talvez ele vá implicar com a cara de interrogação (como diz o Jabor) de Kerry, ou com o penteado de Kofee Anan, quem sabe? Uma coisa é certa: ele terá competência para encontrar um tema que lhe renda outros milhões, cause time is money, e minha paciência é curta!

Vem aí mais uma de Carlos (carlinhos) Reichenbach: "Sessenta em 2005". O filme será rodado em digital e terá locações em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Salvador e Minas Gerais. Ah, a pedidos da produção: se você completa 60 anos em junho de 2005, procure a equipe do filme - sessenta@olhoslivres.com - quem sabe sua história não vai para a telona?

E a Pitty hein? Abiscoitou o VMB, tá certo...só torço muito para a baianinha não se perder em atitudes exteriotipadas e continuar levando seu rock'n'roll, chega de "atitude enlatada" e viva a novidade!!! O importante é ser você...lembra Pitty?

Cineastas, cinéfilos, pipoqueiros, roqueiros e entusiastas, unívos!

As facas Guinso e as meias Vivarina na "mudernidade" de Daniel

Vejo com muita preocupação essa relutância de certos setores da imprensa em denunciar como nacionalismo barato o fato de surgir um conselho de jornalismo, afinal, diante da baderna que se encontram os meios de comunicação neste país, seria muito justo parar com essa retórica chiliquenta de quem empunha sempre o escudo anti-ditatorial para defender propensos direitos democráticos, mas na verdade, quer proteger a "teta" libertina de uma imprensa irresponsável e tendenciosa, baseada no lucro expúrio e na descartabilidade do discurso vazio. Senão vejamos: o que é a TV aberta? Ou melhor, em que se transformou a palavra concessão? Programas descartáveis, de baixo nível, mentiras, audiência, share, parem! A TV é um 011 1406 !!! BBB's desfilam com seus assessores de IMPRENSA em festas, isso é notícia; evangelização eletrônica, audiência; Fulano namora sicrana, isso é primeira página; Morte, assalto, tiros invadem as tardes em programas tipo "a vida como ela é...", noticia; Até a discussão sobre se uma menina deveria ou não perder a virgindade eu já ví...sim, eu ví e ouvi! Sem falar no caso de um louco que alardeia a quatro cantos que é a reencarnação de Cristo e aparece em todos, eu disse todos, os programinhas superficiais da tarde/noite brasileira...onde vamos parar? Isso eu não sei...mas que deveríamos ter tomado uma providência lá atrás, quando as facas Guinso e as meias Vivarina ainda eram as únicas, isso deveríamos...ah, e me diz uma coisa: será que as facas Guinso cortam as meias Vivarina? Pano pra manga...

Ainda estou absorvendo a idéia de "Olga", de Jaime Monjardim ser o eleito. Preciso de tempo, não quero ser injusto, aliás não quero ser justo também, só quero entender, ruminar minhas palavras antes de escrever qualquer coisa... mas prometo que não vai passar impune, isso eu garanto!

Momento volta às críticas: Fui conferir "A Dona da história", do Daniel (Filho). bla-bla-bla...Olha, estou começando a me preocupar com essa estética Globo Filmes...não que seja ruim, é o que se propõe a ser: uma obra de João falcão adaptada para o cinema, mas sabe, sempre que vejo um filme com o selo da Globo me dá um vazio, bate uma esperança de ver algo novo, sei lá, um lampejo de virtuosismo por parte do diretor, ou algo do tipo, mas não...o que assisto é um produto pasteurizado, hermético e morno, feito para catapultar à casa dos milhões o público desavisado. Cineastas, precisamos encontrar um jeito de sensibilizar essa estética para o bem de nosso cinema, ou, daqui a pouco, ao invés da "Estética fílmica brasileira tupiniquim da silva"...teremos a indústria de Chaplin ("Tempos Modernos") na soleira da porta, é isso que querem? Se for eu me calo e aperto minha porca...

Cineastas, unívos e senta a pua!!!

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