Festival do Rio, sem dúvida!

Fiz uma lista de filmes interessantes para assistir no Festival do Rio...e que lista! Claro que não vou conseguir assistir a todos, até porque seria impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas, fiquei muito feliz em constatar a diversidade desse ano, tem para todos os gostos, sem preconceitos estéticos ou coisa do tipo, nada mais carioca. Ponto para Ilda Santiago! No campo da experimentação, filmes como: "The Red Flag Flies", de Zhou Hongxiang ( na mostra "Capacete"); "Pulse", de Shirin Nestat; "Algonquin Park, Early March", de Mark Lewis; "Chamonix", de Valérie Mréjen ou "Civic Life: Moore Street", de Christine Molloy (Estes últimos da mostra "Kunstfilmbiennale"); são ótimos pontos de discussão. Na categoria "Não perca a oportunidade de ver porque pode não ter outra chance!" (sim, eu criei isso na minha humilde lista! ), temos: "Era uma vez na América", de Sérgio Leone; "Zaitochi", de Takeshi Kitano, ou "Vera Drake", de Mike Leigh.

Outro ponto forte do Festival são os documentários: "Estamira", de Marcos Prado; "Morte Densa", de Jurandir Muller e Kiko Goifman; sem falar da mostra dedicada a Peter Davis, destaque para "Corações e Mentes". A competitiva de curtas também é uma excelente oportunidade de refrescar nosso discurso fílmico: muita vanguarda, pouca grana e nenhum pragmatismo.

Os brasileiríssimos: "Feminices", de Domingos de Oliveira; "Filhas do Vento", de Joel Zito Araújo; e "Quase dois irmãos", de Lúcia Murat, estarão desfilando nossa re-re-retomada em terreno carioca. E agora, o fino da bossa desse Festival: "A Batalha de Argel", de Gillo Pontecorvo (1966), completamente restaurado, um convite à memória fílmica de qualquer apaixonado por cinema, senão uma oportunidade ímpar para quem não teve a chance de assistir na telona ...que presente esse! Ah! quase me esqueço de nossos irmãos latinos, coisas de um Festival Pluralista...rapidamente me vem à cabeça "O Abraço Partido", de Daniel Burman (Premiado em Berlin) e o delicioso "Um dia sem chicanos", de Sergio Arau. Vamos ao cinema? Aliás, deixemos que o cinema invada nossa íris!!! E não se esqueçam: cineastas, uní-vos!

Jim Jones e Plínio Marcos na festa para Kiarostami

Em tempos de botinadas e beicinhos, parece que não há mais espaço para a falta de criatividade. Depois da briga em Gramado, dos embates com Mr. Solot, do "idiota" no prêmio Tam, eis que surge mais uma birrinha: Ricardo Kotscho (secretário de imprensa e divulgação da presidência da república) e Clovis Rossi (colunista internacional da Folha). Tudo bem - você vai dizer - não são cineastas, sim jornalistas...mas cuidado, nesse "quiprocó de imprensa" existe uma entrelinha bem perigosa, senão tênue, entre o pragmatismo maniqueísta e o ufanismo cego. Vejamos: Rossi escreveu um artigo na Folha de São Paulo ("Ao debate, caros colegas" - 10/08 - a propósito de uma nota enviada por Kotscho ao jornal "The New York Times" para responder àquele despacho de seu correspondente no Brasil). Nele, todo o inconformismo pela criação do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo), a elevação da ABI em detrimento da FENAJ, a constatação da imprecisão de Luís Nassif em afirmar que a onda verde-e-amarela nas praias italianas é decorrência do Brasil ser o país mais amado do mundo(?), e até uma enquete pessoal(?), feita na europa pelo próprio Rossi, com a seguinte conclusão: A maior parte dos europeus que usam verde e amarelo nem imagina que são as cores do Brasil, ou seja, a onda europeia tem mais a ver com a cor do que com esta terra brasilis...Nossa, isso é fundamentar o tema ou não? Caros leitores, eis a resposta de Kotscho: "Para quem só lê a tua coluna, a vida não vale a pena, o Brasil não tem jeito, o apocalipse está próximo. Só o contato direto - e não por telefone ou internet - com a realidade brasileira pode fazer o premiado, respeitado e competente jornalista que você sempre foi não se transformar num Jim Jones da imprensa." Claro que o texto é enorme, cheio de citações, números e referências, mas o que importa está aí. E o que importa hein? Enquanto lia os dois artigos me questionei sobre a força da referência pessoal na formação de nosso discurso, sejamos cineastas, escritores, jornalistas, não importa, todo nosso inconformismo se fecha em nossas experiências, e isso é perigoso quando não percebemos que estamos, por vezes, enquadrados em verborragias pouco produtivas... quer saber? Estou com o Nassif, o Brasil é o país mais amado do mundo! O resto é falta de criatividade. E tenho dito!

Em tempo: Discordo terminantemente com  Carlos Gregório, diretor de teatro ("Boca de Ouro"), quando este afirma que é preciso sempre inovar para que não aconteça com a obra de Plínio Marcos e Nelson Rodrigues, o que ocorreu com Shakeaspeare ou Molière, ou seja, a cristalização devido ao excesso de respeito ao texto original. Olha, claro que a montagem, seja teatral ou cinematográfica, deve buscar sempre a vanguarda, senão vira mesmice, mas há que se levar em consideração a criação do autor, caso contrário passa a ser outra coisa, fruto de uma colcha de retalhos proposta pelo diretor, mas que carrega o nome do trabalho de outrem. Pode isso?

A Mostra internacional de cinema (São Paulo - 22/10 à 04/11) trará ao Brasil o cineasta iraniano Abbas Kiarostami, que ao lado de Mohsen Makhmalbaf é o grande nome do cinema daquele país. Entre seus fimes recentes estão: "Five", exibido fora de competição em Cannes este ano (inédito por aqui e feito em apenas cinco planos sequência! ); e "10 on Ten" exibido na mostra "un certain regard", se tratando de um documentário protagonizado pelo próprio diretor dando uma aula de cinema em dez tópicos. Além de dar as caras por aqui, ele pretende ministrar uma oficina de cinema na FAAP ! Quem puder ir, não perca essa, vai ser cinema em doses homeopáticas mas com força cirúrgica! E não se esqueçam: Cineastas uní-vos!

 

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