"Sem Precedentes", Festival do Rio e o Hotel Meridién

O Museu da Imagem e do Som ( MIS ) convida para o documentário inédito "Sem Precedentes" de Richard R. Pérez e Joan Sekler, uma radiografia do polêmico processo eleitoral norte-americano que levou à presidência George W. Bush. O filme, legendado em espanhol, é reconhecido por premiações em festivais de Nova York (?), Sacramento (?), São Francisco (?) e New Jersey(?), entre outros, e faz parte de uma parceria entre o MIS e o "É tudo verdade - festival internacional de documentários". Posso começar ? Comecei...o que é isso ? Bom, realmente o processo eleitoral que levou Mr.Bush á Casa Branca foi um tanto quanto escandaloso, mas a verdade desse documentário termina aí. Se não vejamos: Pelo que percebí, Joan Seckler não nasceu na Papua Nova Guiné, e Mr. Richard R. Pérez (?), com esse sobrenome tem um pé na latinidade mexicana que insiste em atravessar a fronteira. O que importa isso ? Se Mr. Pérez descarregou toda a raiva comum aos chicanos naquela metrópole, cadê a isenção ? Se Mr. Sekler abrandou o discurso por ser americano da gema, sim por que eles falam, falam, mas no final, na hora que os nervos estão á flor da pele, nada fazem, escorados no ufanismo patriótico...de que adianta? Temos que preservar a democracia...que democracia cara pálida ? Continuando...o filme é legendado em espanhol. Claro, toda a américa latina fala espanhol...volto aqui aquela polêmica : somos Latinos ? Ah, mas o filme é premiado em festivais...Nova York, Sacramento...olha, um filme que se diz polêmico e verdadeiro, é reconhecido pelos festivais domésticos e não causa uma ampla comoção interna sobre o tema, das duas uma : ou é ruim e politicamente tendencioso, ou se trata de mais um produto descartável fruto de uma "autopofagia lucrativa" de americanos ávidos por dinheiro. Essa história é cheia de precedentes...

O Festival do Rio vém aí...filmes como : "Má Educação", de Almodóvar ;"L' intrus", de Claire Denis ; "Zatoichi", de Takeshi Kitano ; "Olga Benário", de Galip Lyitanir ; "El Abrazo Partido", de Daniel Burman. Os nacionais: "Bens Confiscados", de Carlos (carlinhos) Reichenbach ; "Feminices", de Domingos de Oliveira ; "Vida de Menina", de Helena Solberg, além de diretores esteantes em longas : "Mina de Fé", de Luciana Bezerra ; "Capital Circulante", de Ricardo Mehedeff, e "A Verdadeira História de Tião Coió", de André Amparo...estarão lado a lado nesse festival absolutamente imperdível...quem gosta de cinema vai estar lá ! Ah ! E não perca a mostra dedicada à Bollywood e a retrospectiva do mestre italiano Sérgio Leone, dica das boas...

Só quero fazer um pedido a vocês : participem dos debates e seminários que acontecerão durante o festival no Hotel Meridien, mesmo que os palestrantes sejam representantes da indústria norte-americana ( Kevin Arnold, Diretor executivo de product placement - 20th Century Fox ; Paul Federbush, Senior vice-president acquisitions and production, Warner. Entre outros...), é importante saber, o que esses senhores pensam de nosso mercado em tempos de ANCINAV. Além disso, temas como a convergência de mídia, tv digital e conteúdo para telefones celulares prometem esquentar debates...Cineastas desta terra brasilis, uní-vos !!!

 

Mr. Solot e "Redentor" no quintal da América-Latina

Sei que meus leitores não gostam de temas recorrentes, logo denunciam como falta de assunto. Exigentes, não perdoam a verborragia gratuita, querem novidades, culpa da boa educação, mas...vejam, é um "mas" curto, objetivo e necessário, compreendam...vamos a ele: mas, vejo com certa preocupação as declarações de Mr. Solot - MPAA (representante do cinema americano para a América-latina), tanto em Gramado, quanto no Caderno B, do Jornal do Brasil. Esse senhor, ou melhor, esse Mr., mostrando toda a falta de capacidade politica, comum aos EUA de hoje em dia, além de criticar veementemente o ante-projeto de lei - ainda em discussão - sobre a criação da ANCINAV, defendendo os interesses do mercado que representa, "lembra" a necessidade do governo Lula cumprir até setembro as recomendações da casa branca sobre combate à pirataria, caso contrário poderemos sofrer algumas sanções econômicas.O que é isso, ameaça ? Por que relacionar os dois assuntos ? Chantagem ? Que temos que combater a pirataria, isso é fato, tudo bem. Agora, apesar das críticas internas (comuns à democracia Mr. Solot...lembra ? Antes de Bush ?), a ANCINAV será sim um instrumento de incentivo a cinematografia nacional e, desculpe Mr., defenderá nosso mercado e não o seu. O que o Mr. queria ? Na certa Mr. Solot é daqueles americanos com bochechas rosadas, jeito prepotente, um ar de superioridade que ainda acha que isso aqui é a casa da mãe joana e Buenos Aires é a capital do Brasil. Not here, my boy ! Yes, nós temos banana, a ANCINAV e "aquilo" roxo !

Vem aí a mostra especial "Em direção à América-latina", três bons motivos para conferir: "Sexo, pudor e lágrimas", de Antonio Serrano; "Pantaleão e as visitadoras", de Francisco J. Lombardi, além de "Diários de Motocicleta", do Waltinho Salles, a fina flor da América-tupiniquim-tupinambá-maia-Latina, enfim, é dica das boas...

"Redentor", de Cláudio Torres. Merece uma olhada, mas sem expectativas. Não é um filme definitivo, nem tão pouco se propõe a definir alguma coisa. Seus problemas em nada interferem na diversão e seu diretor sabe disso, o que é bom...ele não engana, sabe o que fez. Tive a oportunidade de conversar com Cláudio pessoalmente e fiquei surpreso com sua capacidade de pensar cinema de mercado, indústria, salas cheias, pipoca...e me arrisco a dizer que se um dia este país produzir cinemão em série, o nome de Cláudio Torres vai ter que ser lembrado.

Para pensar: até agora a lista de pré-indicados à vaga brasileira na seleção de Hollywood para o Oscar 2005 conta com oito filmes. Desses, três possuem o selo Globo filmes, ou seja, quase 40%...pano pra manga...

Ah...cineastas, uní-vos !

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