Méliès, o Oscar e os Pífanos de Caruarú

Ontem assistí "Viagem a Lua" de Georges Méliès, nostalgia pura? Olha, não sei...esse filme explica a origem de muitos recursos narrativos utilizados até hoje, além de um detalhe que considero o mais importante de todos: é o primeiro filme a explorar o corpo da mulher. É isso mesmo ! Nem Alain Resnais, nem Woody Allen, foi Méliés! Começo do século XX e mulheres de shortinhos já roubavam a cena...um prelúdio?Tudo bem que comparado a hoje em dia, parecem freiras no convento, mas pensa, princípio do século...foi o auge da imoralidade !

Méliès estava a frente de seu tempo, era um homem de teatro, logo, não demorou a compreender o cinematógrapho como instrumento de entretenimento, criou efeitos especiais, brincou com a montagem, inovou a narrativa e se contrapôs à idéia dos irmãos Lumiére de cinema como atração de feiras científicas. Hollywood bebe nessa fonte há muitos anos...e vende ! Sem juízo de valor...vende mesmo ! Fazer o quê? Não gostou ? Vá reclamar ao Papa ! Ou melhor, à Méliès !

Saiu a lista parcial com os filmes que concorrerão à indicação brasileira para o Oscar 2005. São eles: "Benjamim", de Monique Gardenberg; "Cazuza, o tempo não pára" de Sandra Werneck e Walter Carvalho; "De Passagem", de Ricardo Elias; "Garrincha, estrela solitária", de Milton Alencar Jr; "O Outro Lado da Rua", de Marcos Bernstein; "Olga", de Jaime Monjardim; "Pelé, eterno", de Anibal Massaini Neto e "Redentor", de Cláudio Torres. Humm...confio muito no julgamento de duas pessoas(e só !) que fazem parte da comissão de seleção, a Carlinha Camurati e o Paulo Caldas.Hein? Paulo Caldas? O diretor de "O Rap do pequeno príncipe contra as almas sebosas" e "Baile Perfumado", lembrou?Vamos ver no que dá, depois eu falo mais...

"Super Size me", de Morgan Spurlock. Preste atenção na narrativa, é legal ver como o diretor joga a linguagem entre o interativo e o auto-reflexivo, o cara é bom ! Não é nenhuma Ana Carolina, nem Eduardo Coutinho, mas é bom...

Ontem pude conferir o Grammy latino e cheguei a uma conclusão: Não somos latinos !!! Esse mundo não nos pertence, é tudo muito, muito...Glória Magadan !!! As apresentadoras tinham um sex-appeal, que não combina com nossas garotas de Ipanema...tudo bem, tudo bem, eles criaram categorias especiais para a música brasileira, Gilberto Gil ganhou como compositor, a Banda de Pífanos de Caruarú como melhor grupo regional (muito justo por sinal), mas peraí, não seria melhor criar logo um Grammy brasileiro ! Quem sabe Nelsinho Mota não se mobiliza ? Pelo menos assim as escolhas teriam um critério mais apurado e não seria tão fácil ver Zezé di camargo e Luciano ganhando melhor albúm de música romantica...pode ? Assim eles vão pensar o que deste país? emails...

A Gueixa, o Big Mac e os festivais

Hollywood descobre a Ásia. Que bonitinho, não? Tem jeito mais meigo de dizer: Hollywood descobre que a Ásia está na moda e quer faturar horrores com isso? Como diz a Hebe: graxinhas...Zhang Ziyi, Michele Yeoh, Ken Watanabe, Gong Li, conhece? Mas você já viu. É cinemão, mas você já viu...e se eu disser: "O Tigre e o Dragão", "007, o amanhã nunca morre", "O último samurai" e "Lanternas Vermelhas", melhora? Pois é, a Dreamworks (Steven Spielberg) e o diretor Rob Marshal ("Chicago") estão desenvolvendo a superprodução "Memórias de uma Gueixa", baseada no livro homônimo de Arthur Golden. Sem querer ser chato, mas já sendo...será um filme falado em inglês, a estética cinemão nada tem a ver com a filmografia asiática, os atores escolhidos já foram absorvidos pelo american way, basta ver o curriculum de cada um acima citado e, se Rob Marshal é o diretor adequado? Tenho lá minhas dúvidas...Meu medo é que Hollywood irá se preocupar em mostrar uma gueixa pop, bem americana (?!), mercadológica, hermética e rasa. Será uma mistura de Roxie com Sr. Myagui, que horror ! Logo, concluímos que este filme será mais um lixo capitalista capaz de arrebanhar platéias mundo afora mostrando superficialidades, pirotecnia e roteiros "Sydfieldianos". Estou exagerando? Enlouquecí de vez? Então tudo bem, não abro mais a boca, mas se a gueixa em questão aparecer comendo um Big Mac, não diga que eu não avisei...

Festival de gramado...que confusão foi essa? Carta de desagravo de uma lado, nota oficial de outro...entre tapas e beijos promovemos nossos eventos, discutimos projetos, leis, agências...isso vai mudar um dia? Pano pra manga...

Concordo com Alain Fresnot, que por email adianta algumas questões sobre os festivais. Realmente está na hora de repensar os formatos e beneficiar os filmes que tenham o grande público como foco. Reproduzo na íntegra o email de Fresnot:

amigos, Não resisto a dar meu "pitaco" neste assunto, pois é um problema grave e tem atingido todos os nossos festivais.Ocorre que os filmes "maiores" não querem se submeter a competição e isto trabalha contra a importância dos festivais e em última análise contra os filmes, os que ganham e os que não competem. Os motivos para a não participação dos filmes "maiores" já são do conhecimento de todos, a relação custo beneficio, ou melhor "risco-benefício" é perversa para um filme que tenha como objetivo o grande público.Como esta questão é de responsabilidade de todos os envolvidos e já está na hora de firmarmos um ou dois festivais como REAIS janelas de divulgação de nossos filmes, adianto algumas idéias que possam ir na direção de superar o impasse que já dura vários anos, são elas:

Aumento significativo das premiações para longa metragem, tornando o festival mais atraente para os produtores.

Criação de prêmio específico para filme com forte apelo popular, distinto do de júri popular ou melhor filme.

Sinalização clara por parte dos responsáveis dos festivais da vontade de solucionar esta questão em sintonia com os produtores.

Ficam estas sugestões, apesar de ter gostado dos filmes de Gramado.

Alain Fresnot

O que acham? Aguardo notícias...Ah ! Cineastas, uní-vos !!!

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