Um pouco de realidade, é só abrir o jornal...

Como vão fiéis leitores?Alguns já se manifestam contra meus argumentos e pedem explicações...outros preferem o silêncio, mas percebo um desconforto...gente, vamos deixar de ser hipócritas, há quanto tempo um grupinho de meia dúzia consegue grana do governo e um mar de cineastas mendiga em praça pública?Poxa, não tenho nada contra ninguém, nem faço juízo de valores, mas está na hora de mudar esse jogo!É sintomático, cada vez que surge uma discussão em torno do tema, os carcamanos aparecem atirando para todo lado na tentativa de frustrar a mudança e manter suas tetas, pensem meus amigos, está na hora de dar chance para uma renovação...

Em tempo: minha proposta não é uma revolução armada, muito menos colocar uma bomba na Globo filmes...o que defendo é uma ampla discussão sobre esse modelo que aí está, no qual, como bem disse Murilo Salles, "um ator global é um ótimo instrumento de captação", e uma afirmação do papel dessa nova agência - ANCINAV - nessa realidade.Sejamos corajosos para aproveitar o momento, pois estou com a impressão que esse trem vai demorar para passar de novo...

Hoje de manhã abri o jornal, como de costume, e voei logo para o segundo caderno, como de costume...que foi?Ah, não era O Globo não...tá legal, digo segundo caderno só para usar uma convenção...segundo caderno - cultura - artes...sacou?Peraí!nesse caso era mesmo O Globo! IIh...pano pra manga...mas continuando...passando os olhos pelo programa de cinema, comecei a perceber algumas injustiças, como de costume, senão vejamos: "Eu robô", de Alex Proyas, está em nada mais que 40 salas...enquanto que "De passagem", de Ricardo Elias, se expreme em uma..."Garfield, o filme", de Peter Hewitt, em 19 salas; "Evandro Teixeira - instantâneos da realidade", de Paulo Fontenelle, em 2 salas...aí, você, leitor desavisado, e existe leitor avisado?Bom, aí, você me pergunta: Mas e "Cazuza", de Sandra Werneck e Walter Carvalho, com 10 salas?Eu te respondo: Globo filmes! Entendeu?Tirando aqueles que receberam o toque de midas das empresas Marinho, todos estão em desvantagem...o número de cópias despejadas no mercado pelas distribuidoras é abusivamente desproporcional, ponto para os Blockbusters...

Agora lê de novo o que eu escreví lá em cima, pensa, pensa de novo, mais uma vez e se ainda não estiver em prantos, ou pelo menos convencido de que a taxação sobre o número de cópias, feita de forma progressiva, taxas pesadas para um volume maior de cópias, é um importante instrumento de democratização da ocupação em nosso mercado...me escreve, me dá seus motivos, fala alguma coisa!Só não fica quieto esperando a bomba explodir para depois ficar fazendo beicinho quando quiser colocar seu filme no circuito, e ficar restrito ao mundinho cult, a não ser que você sobreviva de aplauso, aí tudo bem...

Os Cineclubes e Grande Otelo contra os cineastas carcamanos

Tudo bem, tudo bem...já tem gente reclamando, dizendo que meu único parâmetro de argumentação são as organizações Globo.Discordo, mas é aquela coisa: "a voz do povo é a voz de Deus".Também discordo, Nelson Rodrigues foi mais realista: "toda unanimidade é burra"...o quê?Não concorda?Pano pra manga...

Sabe de uma coisa, é muito legal ver o ressurgimento dos cineclubes, quero crer que não seja uma onda de momento, mas  um crescente movimento de amadurecimento desse canal tão importante para a formação do futuro cineasta, claro!Cineasta com "C" maiúsculo precisa beber dessa fonte, fazer sua própria cinemateca, assistir cineminha e cinemão se despojando de qualquer preconceito e entendendo que precisa flertar com todos os movimentos para, aí sim, buscar sua identidade.Queria tanto que os jovens estudantes tivessem esse compromisso, mas o que percebo é que a maioria busca no cinema a realização profissional espelhada em sucessos, em blockbusters tupiniquins como "Cidade de Deus", "Carandirú", e qualquer outro que acene com a possibilidade de ganhar prêmios e ter o ego massageado.Pergunte a um desses jovens quem foi Mournau, Alain Resnais, Eisenstein ou Buñoel...eles não sabem.Cinema é, talvez, algo que se aprenda na vida e a formação acadêmica surge apenas para corroborar uma vocação já aflorada, o cara tem que ter esse tesão, caso contrário formaremos excelentes técnicos, mas péssimos cineastas.Depois não adianta fazer beicinho para os críticos...vamos estudar rapazeada!

Lí no jornal que Paulo Betti está impressionado com Leandro Firmino que dirigiu o longa "Cafundó", ao ponto de, nos bastidores, compará-lo à Grande Otelo...então tá...não tenho nada contra o Leandro, aliás acho que realmente ele será um grande ator, mas está longe de ser um Grande Otelo, acredito até que, com veemência, esteja rejeitando a comparação, é sensato...aliás esse negócio de comparação já terminou com a carreira de muita gente...vamos deixar nossos ídolos com o brilho que conquistaram e deixar que novos ícones surjam pelas suas próprias conquistas, sem rótulos e comparações...deixem o Leandro em paz!

Olha, histerias à parte, esse projeto de lei do MinC tem pontos positivos sim, e o principal deles é o fato de que depois de muito tempo, acho até que é a primeira vez, o cinema é tratado como gente grande!É claro que nem tudo são flores, precisamos discutir, esmerilhar, amassar esse papel, mas vamos aproveitar o momento e PARAR DE DAR CHILIQUES EGOÍSTAS E NÃO-REPRESENTATIVOS!!! Isso só enfraquece a classe, e impede que, de uma vez por todas, fazer cinema no Brasil seja privilégio de muitos e não de um grupinho carcamano, capaz de pitís homéricos quando alguém mexe na sua cumbuca.Cineastas, uní-vos!! Para que a inteligentsía não vença o bom-senso...Pano pra manga.

We are the world, mas também Globo...

Saiu no segundo caderno de O Globo: "Artistas alvejam Bush com música - aumenta o movimento contra o presidente dos EUA nas turnês e nos lançamentos de CDs".Não quero ser chato, se já não sou, mas esse negócio de estrelas americanas contra o presidente-déspota me soa meio esquisito...

Em uma cultura pop e capitalista tudo é um bom motivo para estar em evidência, e confesso que lendo a lista de grupos e artistas simpatizantes dessa cruzada, ou "War on errorism" (guerra contra o errorismo) como já batizada, tive um calafrio: The Flaming Lips; The Yeah, Yeah, Yeahs; Alkaline Trio; Nofx; Pennywise; Sum 41; Good Charlotte; Lenny Kravitz gravando com os músicos Kazem al Sahir (Iraquiano), Simon Shaheen (Palestino) e Jamey Hadded (Libanês); Patti Smith; Green Day; Blink 182; R.E.M; Beastie Boys; The Dixie Chics; Pearl jam; Dave mathews band; James Taylor, entre outros.Agora confessa, destes que listei, quantos você conhece?Ah, James Taylor é um clássico, Dave mathews band também, minha geração ouviu Pearl Jam, R.E.M, Lenny Kravitz é um produto do meio, Beastie Boys?Tá.E o resto?Não vem me dizer que você é produtor musical, aí não vale!Se bem que tenho um amigo que é produtor e nem imagina que Patti Smith incluiu a canção "Radio Baghdad" em seu recente CD, nem mesmo que o nome do CD é "Trampin"...bom, se você admite que nunca ouviu falar desses caras, e também concorda que vivemos em um mundo capitalista selvagem, será que sou louco em dizer que isso é uma tremenda auto-promoção?Injustiça?Lembra de "We are the world", era lindo ver aquele clip no Fantástico, sim, já foi lindo ver o Fantástico, comovia ver o mundo artístico engajado, lutando pela igualdade...e daí?Pensa nos artistas do clip.Pensou?Agora pensa: será que essa sacada de "nós somos o mundo" não catapultou a carreira de muita gente?Pensa, pensa...

Tem tanta gente falando de "Olga" que vou me sentir um idiota se não falar também...não ví o filme, amigos meus viram, mas como gosto não se discute, vou dar uma olhada, depois eu falo.Ufa!Falei...Falando em "Olga", ou melhor, quase falando em "Olga", e a Globo filmes hein?Calma querido cineasta, sem chiliques, não é o fim do mundo, nem a morte do cinema experimental, mas é uma nova fase...e estamos no olho do furacão!Quero crer que nossa classe sabe fazer algo mais que reclamar.Vamos encarar os fatos: antes da Globo entrar no mercado, os filmes brasileiros ocupavam algo em torno de 4% do mercado, hoje, esse número está em 25% e com viés de alta!Isso é ruim?Tudo bem que criou-se um mundinho na classe, aqueles que lucram e os que penam, mas antigamente não penava todo mundo?Não tem jeito, nesse novo contexto, a Globo é nossa major, e temos que aprender a lidar com isso...estou com o Barretão: "É preciso desmobilizar essa paranóia de padrão Globo, o cinema brasileiro tem seus próprios parâmetros de qualidade...é injustificável esse temor e o medo do sucesso..."E tenho dito!

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