A Nouvelle Vague, Tchecov e Kusturica
Esbarrei em algumas preciosidades acontecendo por aí, biscoito fino, uva de cacho e saci-pererê, como diz um amigo meu...ei-las caríssimo e raríssimo (graças à Deus) leitor: Em São Paulo, uma pequena maratona me chama atenção pela delicadeza da seleção das latinhas e importância dos diretores no cenário fílmico mundial. Clássicos da Nouvelle Vague como: "Conto de Verão", "Conto de Primavera", "Conto de Outono" e "Conto de Inverno", de Eric Rohmer; "Os Incompreendidos"(premiado em Cannes - melhor diretor), "Beijos Proibidos", "Amor em Fuga", e "Domicilio Conjugal" de François Truffaut; além de "A Pequena Lili", de Claude Miller. Não julgue o valor apenas pelo rótulo - Nouvelle Vague - apesar de achar que já seria motivo suficiente para conferir, mas, porém, contudo, entretanto, todavia, sei que leitores exigentes precisam de apelos fortes, então lá vai, sigo apelando: a série de filmes de Truffaut é protagonizada pelo personagem Antoine Doinel (interpretado pelo ator Jean Pierre Léaud), no qual o diretor projetou claramente a sua biografia...agora olha os títulos de novo. Olhou? Não te bate uma curiosidade? Vai lá...E mais, "A Pequena Lili", apesar de ser um filme recente (2003), é uma boa adaptação livre da obra de Tchecov, mais precisamente de "A Gaivota". Deu pra atiçar a curiosidade? Que bom...
Tem mais: "A Vida é um Milagre", de Emir Kusturica...bom, do Emir eu preciso dizer alguma coisa? Iuguslavo, consagrado em Cannes, Berlim e Veneza, vencedor do "César" na França (empatado com "Apenas um Beijo", de Ken Loach), badalado, cultuado e detestado, enfim, é a banana mais madura do cacho...e sobre o filme? "A Vida é um Milagre" se passa na Bósnia, em 1992, tem uma ferrovia como personagem principal, e...ah, não vou tirar o prazer de vocês...mas é bom que se diga: Kusturica não é fácil, nem se propõe à digerir sua obra, portanto cuidado com as armadilhas e com os preconceitos...no mais, bom filme!
Um breve esclarecimento: ainda não tive vontade de ler o artigo em que Coutinho chama Moore de "populista de esquerda", mas reforço o que já afirmei: DOU RAZÃO À EDUARDO...
Minha preguiça e Coutinho, Zampari e sua memória...
Zapeando em plena internet...assim me encontrei em pleno ócio, desmentindo qualquer teoria de objetividade ou coisa mais séria. Encontro uma entrevista de Coutinho chamando Moore de "Populista de esquerda". Tudo bem, se me der ao trabalho de ler a matéria, com toda certeza encontrarei motivos para concordar com Eduardo, mas...estou com preguiça! Não de concordar, mas de ler! Sigo em frente, quero algo mais "menos polêmico"...papo de cá, zap de lá, nada...mas (olha meu "mas" de manga), lembrei de algo que me incomoda...alguns dirão em advertência passiva: "Mas você não queria algo menos polêmico?" Pois é, queria, mas o sangue é quente e minha elegância dura pouco...vamos à lembrança: Responda com toda sinceridade que lhe é peculiar, quem foi Franco Zampari? Quer tempo? Desiste? Imaginei...mas não se sinta sozinho, muitos nem desconfiam da importância deste homem para o cinema brasileiro da silva...problemas com a memória ou ignorância completa, não importa a causa, fato é que, cada vez mais, as universidades formam técnicos de cinema, daqueles que ligam a câmera, mexem em máquinas digitais, gostam de Spielberg, tem egos gigantescos, educação...mas são tão profundos como uma colher de sobremesa. Que foi, você não vestiu a carapuça? Ótimo! Então por que não respondeu quem foi Franco Zampari? Sei...te ajudo: Este italiano de nascimento foi o responsável pelo surgimento de duas referências nacionais: o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), e a Cia. Vera Cruz de Cinema. Me ater ao TBC é chover no molhado, o que me encanta é a Vera Cruz e seu slogan 'Do Planalto abençoado para as telas do mundo"...
Um pouco de poeira: desde o início, a proposta de Zampari era industrializar a produção de cinema no Brasil aos moldes de Hollywood e, para isso, não poupou esforços contratando nomes de peso como: Alberto Cavalcanti, Oswald Hafenrichter, Henry Fowle, Eric Rasmussen, Adolfo Celi, entre outros. Franco sozinho não dispunha de todos os recursos necessários para tal empreitada, por isso, além de buscar sociedade com importantes mecenas da época, tratou de beneficiar-se de um dispositivo legal que isentava de impostos a importação de equipamentos cinematográficos destinados à estúdios e laboratórios, assim nasceram os estúdios em São Bernardo do Campo. Tudo bem, constantemente a visão cosmopolita da Vera Cruz impunha-lhe a acusação de não retratar o Brasil nas telas (crítica feita inclusive por Gláuber uma década depois), mas é inegável a importância dessa epopéia Zampariana para o cinema nacional, o cinema de escala, a produção em série de latinhas como: "O Cangaceiro", de Lima Barreto (vencedor de Cannes), "Sai da Frente", de Abílio Pereira de Almeida, ou a comédia sofisticada, "É Proibido Beijar", de Ugo Lombardi; tudo isso nasceu da cabeça deste ítalo-maluco-brasileiro, e representa um marco em nossa filmografia, quer queiram, quer esqueçam...ajudei? Espero que sim...no mais, é história, nomes, datas, só não se esqueça deste nome: Cia. Vera Cruz.
Laffite, o IBGE e o cinema
Lembrei de um filme que resume o que quero escrever: "Opera Curta', de Marcelo Laffite...sobre o que fala o filme? Bom leitor, você tem dois caminhos a seguir, ou tira a idéia do filme pelo que vou escrever aí embaixo, ou assiste à latinha e poupa sua miopia, fica a critério do freguês...decidiu? Não? Vou começar hein! Vá lá, eis o que me vêm na cabeça: quando saímos na rua, seja para ir ao banco pagar uma conta atrasada, ou na padaria comprar tudo menos pão, enfim, quando somos nós e eles na rua lotada, quem somos? Sim, por que perdemos a majestade do lar aconchegante e mergulhamos na democracia-generalista-dos-rostinhos-comuns-em-pleno-sol-de-meio-dia...e o que somos agora? Mais um? Menos? Somos estatísticas do IBGE ambulantes e inodoras, suamos, mas o molhado é detalhe à fotometria do governante, é perda de tempo à toalha alheia e reforça a idéia de perdidos frente ao irmão desconhecido que, outrora, na coletividade, chamamos de população...por que digo isso? Ando me perguntando se o cinema está para a realidade assim como a realidade está para o cinema, divago devagar, mas recaio sempre no que diz Abbas Kiarostami, será que é certo? Bernardet coloca Abbas no campo do minimalismo, da construção livre de ação e rica de sentido, mas nem assim o caráter filmico iraniano, ou qualquer outro, consegue dissociar Realidade fílmica e ficção...e minha pergunta é simples: somos realidade em 35MM? O Neo-realismo, a Nouvelle Vague, o Cinema novo, diriam, sim! Flaherty, Grierson, Vertov (mais timidamente), gritariam: Não! E, veja a incoerência aos olhos mais puerís: estes senhores são os pioneiros do documentário! Como o documentário se nega a ser realista? Simples, a realidade cinematográfica é por si só uma nova construção de tempo e espaço, logo, trata-se de outra esfera de ação e mímese que não a real, pensem bem: um documentário, você vai filmar no sertão da Paraíba, enquanto o cinegrafista prepara o equipamento você conversa com o entrevistado, puxa dele suas impressóes, trejeitos e manejos, ele está à vontade, sorrí, mas ligue a câmera...ele muda, empalidece, fica duro como pedra e só olha para os lados, como que fugindo da famigerada luzinha vermelha que pisca...ele dará à você o real? Não, ele montará um personagem que proteja sua verdade...os pioneiros sacaram isso, e você? Encare a realidade como o IBGE, pálida e crua, depois construa em 35MM um mundo mais colorido, longe das tendências naifs e mais perto do cinematógrapho...depois saia correndo para comprar seu pão com um sorriso nos lábios e o pensamento leve de quem brincou de cinema... cineastas, uni-vos!!!
Cartagena, Takeshi, e a imparcialidade de Amos
Em tempos de mega-eventos, tenho um na manga que vale muito para nossa filmografia Tupi-guarani-maia-asteca-pratense, o Festival de Cartagena, mais antigo da América Latina, e com alma renovada pelo circuito paralelo criado em torno do evento principal: O Concurso Ibero-americano de Curtas-Metragens, o Concurso de Cinema Colombiano, a sétima Mostra Internacional de Vídeos, e a quinta Mostra de Vídeos para Novos Criadores. Além disso, figurinhas carimbadas de nosso portunhol marcarão presença, senão vejamos: Sergio Arau (diretor mexicano), Gerardo Chijona (excelente diretor cubano), além de contar no corpo de jurados com Alejandra Cilleros, cineasta chilena, e das boas...Quem precisa do "você sabe quem"? Ah! Bom que se diga, o Brasil tem participação marcante em Cartagena, abiscoitando a "Índia Catalina de Ouro", em várias edições recentes do festival: 1999 - "Central do Brasil", Waltinho; 2000 - "Orfeu", Cacá Diegues (prêmio que compartilhou com o Argentino "Garaje Olimpo"); 2001 - "Eu,Tu, Eles, Andrucha; 2003 - "Cidade de Deus"; Fernando Meirelles; e ano passado, "Carandirú", Babenco...somos favoritos ou não? Quem tem chances este ano é "Contra Todos", do Robertinho Moreira, acho que é possível, aguardemos...
Acho que não entendi a piada, de qualquer forma: Takeshi Kitano deu a entender que rodará em breve a continuação de "Zatoichi", isso mesmo, e a única mudança em vista é o "2" acrescido ao título original...posso falar? Então aí vai: Takeshi cometerá um erro ao prolongar a saga do andarilho cego, não tem a menor necessidade de expremer "Zatoichi" e criar novas situações, o longa se resolveu bem...isso não é "Rocky - o lutador", é cinema japonês, o filme é bom, o diretor melhor ainda, mas parece que o hiato criativo toma conta dos bolsos mais desavisados...depois não digam que não avisei...ah! E fãs, reclamações em geral, cartas ao Papa...
Vem aí 'Free Zone", de Amos Gitai, tudo bem, tudo bem, os mais afoitos dirão: "A Natalie Portman (indicada ao "você sabe quem 2005" por "Closer") fará Rebecca, uma norte-americana que se apaixona por um israelense..." Mas, e sempre descolo um "mas" a mais, o importante mesmo é a temática do filme: a cooperação inter-racial entre árabes e israelenses, ou a falta dela...eu sei que é um tema difícil, uma linha tênue entre o pieguismo marrom e a realidade crua, mas quero confiar em Amos e no caráter independente que está dando à latinha...bom, tomara que seja tão bom quanto "Kippur - o dia do perdão", e mais imparcial que "Kadosh - laços sagrados"...é esperar e conferir...cineastas, uní-vos!!!
Eu e o "você sabe quem" 2005 - parte 2 - e chega!
...(continua)...pronto! Lá estava eu de frente para José Wilker e cia LTDA...meu Deus! Bom, a julgar pelos comentários, o vestido de uma ou outra era mais importante que o sentido diegético da filmografia em questão, mas vá lá, é TV aberta, pede-se um detalhe fofoquiesto, senão as pessoas dormem...meu Deus (de novo)...segue o bonde...Eis que lá pelas tantas, e não eram muitas, o presidente da academia resolve fazer seu discurso anual - me seguro na poltrona - ele começa prometendo não ser tão massante quanto nos últimos anos - acredito nele? - e o que acontece? Ele me sai com um discurso verborrágico e panfletista de apoio ás tropas da terra mãe aguia libertina america do norte..."Dedicamos esta festa à todos os soldados espalhados nos fronts de batalha pelo mundo afora, onde defendem a liberdade e a paz no mundo!" Meu Deus!!! (parte 3) Parem o Oscar que eu quero descer!!! O que é isso? A confirmação de uma festa de esquina para o fechamento da rua? Que liberdade que nada, os caras invadem território alheio, destroem, pilham e saqueiam sitios históricos, se apoderam de poços de petróleo, loteiam o mundo e me saem com "liberdade"? Desliguei! Isso mesmo, essa festa de cuba libre terminava pra mi ali mesmo, estava quase vomitando...deitei e fui dormir. Mas quem disse que sono é privilégio de gente implicante e mazoquista? Sento na cama e ligo a TV, mamãe pede pra abaixar um pouco, já era tarde, essas coisas...Clint ganhou! Di Caprio aplaudiu, Gisele sorriu, Renato se enrolou, Wilker não viu, Steve martin não foi, Woopi também, Scorcese riu, Banderas cantou, o Uruguaio dançou, enfim, uma chatice supuzitorréica e mercantil, capaz de ignorar o cinema e enaltecer a mercadoria, e tenho dito!
Ah! Não falo mais sobre Oscar nesse espaço, nem me venham com emails e inteiros, sou firme e, e...bom, não falo. Só mais uma curiosa: o Lars (o Von Trier) vai tirar de seu filme "Manderlay" rodado na Africa do sul a cena do esquartejamento de um burro...sob protestos dos defensores de animais daquele país...que coisa, talvez por isso os direitos não sejam respeitados nesse mundo, os ativistas, sejam de que área forem, se preocupam mais com a ficção do que com a realidade, mudar a ficção é mais fácil..será? Cineastas, uní-vos!!!
Eu e o "você sabe quem" 2005 - parte 1
Recebo emails em pândegas, uns enlouquecem com minha preguiça em falar sobre a festa yankee, outros simplesmente perguntam se eu falo realmente de cinema neste espaço, enfim, não está passando despercebido o fato...afinal de contas, é...afinal de contas...ah, deixa pra lá! Oscar 2005! Que foi? Não era esse o assunto que vocês queriam? Agora aguentem: Todos sabem o que acho dessa cultura de pipoca que hollywood perpetua a cada "Shrek" que nasce? Todos também sabem da minha implicância com o cinemão? Bom, já que ninguém levantou o dedo, fico mais tranquilo para meter... não, meter é feio, assim acabo perdendo a razão, fico mais tranquilo para divagar bem devagar sobre a festinha no Kodak, ficou melhor? Comecemos, mas tenham paciência para uma história em capítulos...eis o primeiro: Domingão, abro o jornal e dou de cara com a estatueta, penso comigo mesmo: "Pára, pensa e não veja!" Dito e feito, resolví e fim de papo...isso era às nove da manhã. Papo vai papo vem, telefone toca, " E aí Alexandre, preparado?" - Preparado para quê? Será que o domingo merece mais preparos que um chinelo, um som e um travesseiro? - ele continua: " Vamos assistir o Oscar na casa da fulana, tá a fim de ir?" - ele falou, sim ele falou a palavra proibida...se quisesse me deixar em coma era só completar: Mc Donalds, UCI e Popcorn... - após um breve silêncio, pausa pro café, respondo: " Olha cara, eu tenho que fechar umas laudas hoje, tô meio atrasado com a coisa e... fica pra próxima! (eu sabia que não haveria próxima, mas ele nem desconfiou) - e assim foi...tarde tranquila, até resolver procurar alguma coisa na TV..zap pra lá, zap pra cá e nada...domingo parece terra devastada, não tem pifia-coisa pra assistir, faço o que mamãe faria: deixo a TV ligada baixinho e vou pro computador escrever. Rede Globo, comerciais, entra a chamada: Não perca, hoje é dia de paredão no Big Brother Brasil...etc, etc...foi pra conta...internet: Oscar 2005 transmissão ao vivo após o Big Brother...e daqui á pouco, Daniela Cicarelli no faustão, falando sobre a confusão de seu casamento...domingão...faço as contas e vejo o caos: primeiro Cicarelli, depois o Fantástico, Big Brother e ele, o coisa ruim...pra quem gosta de...bom, vocês conhecem o ditado... parti para a ignorância, desliguei a TV e fui dormir! É, dormir, dormir, dormir...qual o problema? Bom, depois do momento 6 anos, continuo: acordo com o telefone, era o mesmo cara que eu já despachara de manhã..."Estamos fazendo um bolão aqui, você quer entrar?" Agradecí gentilmente, pelo menos acho que fiz, bom, não lembro..mas voto vencido, liguei a TV novamente, era o BBB5 acabando e o coisa ruim dando as caras...(continua...)
A Saudade que sinto, na falta que me faço...
"Os pequenos vicios acabam com qualquer relação..." Você acredita nisso? Eu também...pena que demorei para aprender, mas sigo em frente, sem eira nem beira, colocando meus "ís" nos poucos pontos que me restam, mas se me restam, os recolho, e me proponho uma trégua...quero, espero e consigo. Como na espreita de minhas atitudes, coloco meu coração em fogo brando..deixem ele lá, quieto, sozinho e pensativo nessa paz que me imponho. Por favor, deixem-me em suspenso, erguido em palavras de laboratório, aquelas pensadas pelos outros e vividas por nós, deixem-me... Ando procurando lua em mar aberto, rua em céu de outono e briga em plena igreja...ando assim, meio sem noção de espaço, me falta um compasso, uma régua e um estojo, sim, um grande, que me guarde sem memórias, mas com segurança. E sobre os vícios, digo pouco, eles já fizeram sua parte, falar deles agora é insistir em crise, além do mais, ando meio sem paciência para criar conflitos...só quero silêncio, ouvir meus grilos, minhas corujas e meus porquês, sem dar a eles muita importância, posto que são detalhes, e miudezas são perigosas nesse mundo de farpas...Ah, que saudade de mim nesses dias de solidão...
A Volta dos que não foram - parte I
Enquanto uns dizem que eu empaquei na minha verborragia de farmácia, outros colocam panos quentes dizendo-me incapaz de pensar em cinema frente às festas e ao ano que só começa depois do descanço de Momo...verdade é que minha preguiça tornou-se senhora de meus atos, e não lutei contra isso...impáfia? Infâmia? Verdade, meus amigos...a mais pura verdade...mas, como a vaca é fria e o tempo urge, volto minhas atenções à este humilde espaço anti-democrático-absolutista- de-minhas-loucas-ponderações e lhes digo: VOLTEI. Sim, sem exclamação, afinal quem exclama quer confusão,quem pontua só quer conversar...O quê? É só isso mesmo...sem cineminha-brasilis por enquanto, mas venho com meu sarcasmo à flor da pele..preparem-se Naífs, meu orgulho recomenda prudência, mas meu egoísmo requer autoridade. Cineastas, uní-vos!!!
FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2005!!!
Caros leitores, desejo à vocês um FELIZ NATAL, cheio de paz, harmonia e muitas felicidades!!! E um ano novo cheio de realizações, novas idéias e mão na massa!!! Bom, ano que vem eu prometo que volto com ânimo renovado e mais periódico do que nunca! Que foi, não acreditam? Paguem pra ver...Ah! Em especial quero ressaltar a generosidade de alguns blogamigos desta coluna: Cláudia, Monica e dona Lourdes, obrigado pelas palavras de incentivo e pelos devidos puxões de orelha, sem vocês, este pobre cineasta não seguiria em frente, obrigado...cineastas e amigos uní-vos!!!
O Sofá, Bob Dylan e a TV Pirata
Digamos que termina aqui minha lua de mel com o "Segundo-caderno" de "O Globo"...sim, e antes que digam que estou de birra, ou que pareço criança mimada, vamos logo ao que interessa: "Não Passou de um Sonho - Queda de 25% no público do cinema nacional confirma que boom de 2003 foi uma exceção" Posso? Aqui vou eu: Boom? Claro, passamos anos de penumbra total, desligados da tomada por um desleixo público/privado que impossibilitava qualquer reaquecimento da máquina cinematográfica brasileirinha da silva, mas, daí a dizer que o ano de 2003 foi um balão de ensaio, acho simplista demais, vamos dissecar: vc não tem nada no seu apartamento, nenhum móvel, enfim, nada mesmo, aí vem uma tia gorda e te dá um sofá de três lugares, lindo, enorme e aconchegante. O que é o sofá para sua casa? Não sabe? Poxa, eu ajudo: TUDO! Se você não tinha nada e ganhou um sofá, cuide dele! Agora, vem comigo para o nosso cineminhabrasilis: estávamos pedindo esmola em praça pública, eis que surgem conjunturas e estruturas capazes de reerguer um gigante adormecido (é o sofá, é o sofá!), o que acontece? Um Boom!!! Certamente que tomar 2003 como parâmetro seria ignorância, digo até que seria infantilidade, afinal, em ano atípico só vale o novo e não os números, então vamos com calma...o mercado ainda está se acomodando, os profissionais ainda estão aprendendo a se fazer pela legislação...tudo à seu tempo...2003 foi um ano importantíssimo, uma virada histórica digna de comemorações e rituais xamânicos, não foi um balão de ensaio, mas uma subida de patamar...levemos isso em consideração, e só, dai para frente, é outro enredo, novos atores, e páginas em branco, tenhamos maturidade para escrevê-las...
Bob Dylan não quer ser porta-voz de uma geração, aliás nunca quis...acredita? Nem eu...mas ele disse. Dylan é um ícone, anos 60 é ele e mais dez, tá...e daí? No documentário "Don't Look Back", sobre sua viagem à Inglaterra em 1965, ele provoca, é monossilábico e se diz contra a cultura dominante...no que deu? Se transformou em ídolo de uma geração sedenta, moderna, Kirsh...negou e levou...ponto para você Bob, continue negando, só não se esqueça que os tempos são outros...
Ando um pouco nervoso com esse negócio de mídias e médias...essa autopofagia que vivemos hoje não regorgita mais como antigamente...engolimos o velho e não vomitamos o novo, só o velho remodelado! Veja a TV por exemplo...séries como "A Grande Família", os programas "Mundo cão", o "Fantástico", "Silvio Santos", viu alguma novidade? Só recorrências...as coisas voltam como eram e ninguém vai preso...cadê a criatividade? Não aguento mais ouvir que a "Blitz" vai voltar, ou que "TV Pirata" é o melhor humorístico já feito...vamos correr atrás do novo, ou nos afundar no vale à pena ver de novo...é isso?Vale mesmo? Cineastas, uní-vos!!!
Não ao não e ao papo de gringo
Prefiro que me matem por dizer, que me parabenizem pela omissão...deveria começar de um jeito mais calmo, ou quem sabe educadamente dizer um "Oi" aos poucos leitores que ainda tenho...mas, e sempre coloco um "mas" a mais, sou um complicador por vocação...vamos às minhas lamúrias: Não estava em Cuba quando Garcia Marques encerrou seu curso-oficina de roteiros na Escola Internacional de Cinema e Televisão de Havana...Não aplaudi Coutinho na entrega do Candango em Brasília...Não chamei Babenco de idiota, nem participei das cartas manifesto contra ou à favor da ANCINAV...Não fui à confraternização da ABCine em São Paulo... Não disse não à ninguém que me dissesse sim...Não terminei um roteiro, nem deixei de lado...Não me dou por vencido...enfim, tantos "nãos" entram pela porta da frente que não poderia deixá-los de lado...ei-los meus leitores e tantos outros que guardo na minha impáfia idiocrata de achar que digo sim à tudo...alguém entendeu alguma coisa? Não? Pano...
"Diários de Motocicleta", do Waltinho, está entre os pré-indicados ao "Globo de Ouro"...como esses gringos gostam de Pré-indicar...me diga, estou ranzinza demais ou procede? Vejamos: Pré-selecionados ao Oscar, pré-inscritos no Sundance, pré-indicados à Miami...parem! Quem pré-indica pode pré-julgar...pensem nisso, e junte à esse mafuá a grana das Major's, o quanto representa uma "pré-indicação"....alcançou? Não? De novo: pense no Oscar, só de pensar me vem a imagem do Oswald na cabeça...sai daí! Continuemos...Existem os filmes "ganhadores", que arrebanham milhões pelo mundo às salas de cinema, tem os "indicados" que seguem o mesmo caminho, embora com menos força, e tem os "pré-indicados", esses fazem parte da categoria criada pela indústria para alavancar às cifras dantescas produções digamos menos "Blockbusterianas", foi agora? É tudo grana, e quem disser o contrário levou algum...radical, eu? Pode ser, mas nenhum gringo me força a ir ao cinema ver pirotecnia gratuita por um Oscar...comprei briga nessa...ai...emails com carinho, por favor...cineastas, uní-vos!!!
A Simplicidade, o Perfeccionismo e o Amor
Quanto vale a criatividade? Há quem seja refém dela...quem procure nela a justificativa para o experimentalismo, o vanguardismo latente, as loucuras narrativas, etc, etc...mas quanto vale? Dificil essa? Eu sei...vejam: Nesta semana viví um problemão criativo, um roteiro pronto, último tratamento, tudo certo e...faltava o título! Tá bom, tá bom...alguns dirão: "Que raio de roteirista é esse que escreve o texto e esquece do título?" Sei lá, mas fato é que faltava o título...nessas horas, diz um amigo meu, o melhor é deixar o texto descançar, fumar um cigarro, esquecer da vida...foi o que fiz: sombra e água fresca para o texto, cigarro, bom, eu não fumo, mas esquecí da vida...adiantou? Nada...o título não vinha nem com reza forte! Eis que aparece a filha de um amigo meu, Patrícia (7 Anos). Papo vai, papo vem, e lá pelas tantas ela ouvindo nossa conversa, sai com a seguinte pérola: "Tio, Filma Eu?" Agora espera. Leu até aqui? Deixa eu dizer sobre o que é filme: Fama à qualquer preço, artistas descartáveis, cometas... lembra que a criança ouviu minha conversa com o pai? Que título você acha que dei para o roteiro? Ei-lo: "Tio, Filma Eu?" Por que conto isso? Simples, pois é sobre simplicidade que estou falando, e às vezes, nós cineastas ficamos mais preocupados em criar vanguardas, tendências, ou explicitar referências à grandes mestres, que não atentamos para a simplicidade...esquecemos de ser crianças e, nesse ponto, surgem hiatos criativos, tudo culpa de nosso virtuosismo egocentrico...quero meu cinema assim, longe de minhas referências, do meu lado vaidoso, no mais, recorro à Patricia...
"Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro", ou "Curta Cinema", se preferir...assistí alguns filmes e preciso falar de dois biscoitos finos: "Ninguém Suporta a Glória", de Adriano Lírio e Luzios Rueedi; e "ID", de Indira Dominici. Sobre o filme do Adriano e do Luzios, bom, guardem esse nome: Adriano Lírio, esse rapaz já deixou de ser uma promessa como diretor, é realidade. Seu perfeccionismo merece respeito, "cabra da peste!" Como ele mesmo diz...agora, "ID" é uma surpresa para mim...pois tem uma narrativa tão simples quanto inquietante, uma montagem excelente e uma dose de tesão pelo "fazer cinematográfico"...cinema é isso! Amor, simplicidade, narrativa, perfeccionismo....essa semana estou recebendo uma aula sobre o que é ser um cineasta, e viva Patricia, Adriano e Indira! No mais, é papo de catedrático chato que vive sentado nas teses empoeiradas! Pano...
Cineastas e crianças, uní-vos!
Abobrinhas, Coutinho e Vianinha...
Eu sei...eu sei...estou devendo muitas satisfações...pensei em algo do tipo: "Desculpem!" Mas, leitores criados à fino leite não se contentam com esse "pouco que não basta", então me explico: "Trabalho!" Outra palavra isolada...tenho que melhorar isso...senão de que jeito? Olha aqui: "Sem tempo..." Meu Deus...não consigo dar uma desculpinha e sair de fininho? Que coisa! Façam o seguinte: Desculpem, trabalho...sem tempo! A pontuação ajuda? Deixa eu melhorar...ei-la, a desculpinha bem pontuada: Desculpem...sem tempo, trabalho! Agora foi? Pois é, dá trabalho até escrever sobre o trabalho, leva tempo...Pano...
Muitos emails tratavam do assunto "Lula", Coutinho, e João Moreira Salles. Há quem ache estranho dois filmes, um metalúrgico, nosso presidente... Mas acho bobagem especular, quero pensar na sensibilidade diegética, ou me ater ao discurso. Falando sobre isso, tenho que me render ao Eduardo, sem desrespeitar a opinião sempre bem humorada de meu amigo Ivan Cardoso, Coutinho não representa a esquerdofrenía no seu discurso, mas defende, com sua postura participativa, a realidade. A reversão do mecanismo fílmico, ou seja, partir do geral para o particular, a contraposição ao método sociológico, que tinha nas teses, nas pesquisas, a justificativa de tudo, elevam seu discurso dando-nos a possibilidade da interpretação, do bom e velho "Eu penso", queiram ou não queiram, e você meu caro Ivan vai me dar razão: Coutinho está para nosso documentário tupi-guarani-afoxé-de-guaporé, como Drew para o cinema direto americano...calma Ivan...Ivan? Volta aqui...
Oduvaldo Viana, Vianinha e Deuscélia...confesso que ando me surpreendendo com o "Segundo Caderno" de "O Globo"...Ah, você nem faz idéia de quem são essas pessoas? Pois muito bem...se eu chamar Deuscélia de Madame Danjou, ajuda? Ou que se tratam de pai, filho e mãe...agora foi? Não?! Que cineastas são vocês? Daqueles que só assistem filmes? Mudo de assunto, e salvo você..."Ludwig", de Lucchino Visconti terá exibição "biscoito-fino" na Academia de Música do Brooklin, em Nova York. A latinha foi restaurada graças a Ruggero Mastroianni, irmão de Marcello, e montador de Visconti...o filme está inteiramente restaurado e contará com a versão original de 4 horas...eu falei Nova York, não é? Como eu queria dizer Cinemateca do MAM...
Amanhã eu volto...cineastas, uní-vos!!!
O cinemão e Fessler, mas, cadê o Xexéu?
Vamos lá: todos aí? Acho que este espaço anda frequentado demais, a babel perde...recebo emails esquisitos, verdadeiras celêumas intermináveis que criticam minha falta de apego ao cinemão, outros preferem dizer que não gosto mesmo é dos EUA, "É campanha despudorada em torno de idiocracias esquerdistas e pouco ponderáveis..." reclamou um Sr., sim, um Sr., por que não vou jogar seu nome em praça pública...pra quê? Depois ele vai dizer que sou um idiota...e cá pra nós: idiocrata esquerdista, ainda vá lá, mas idiota...ah, isso eu não aguento...segue o bonde...já que esse senhor revelou-me como um anti-EUA, gostaria de dizer que não é verdade. Calma aí , eu já deixei o sr. falar, agora é minha vez...o cinema norte-americano, já deu importantes contribuições a cinematografia mundial, destaco uma, pra que não me alongue por demais: o cinema direto americano. Em oposição à escola inglesa de documentário, leia-se John Grierson, baseada em voz off, narração em terceira pessoa, trilha sonora e cenas de estúdio, e acreditando que era necessário revigorar a linguagem documental em cena até então, Robert Drew e Richard Leacock quebram as regras com "Primary". O filme mostra a última semana da disputa entre Kennedy e Humphray pela Casa Branca, e inaugura um novo fazer documental: o cinema direto, com a câmera solta, sem entrevistas, baseado no modo observacional, sem a menor interferência na realidade. Claro que esse novo fazer, e me recuso a dizer "Make-up", por que aí é demais pra mim, só foi possivel graças à renovação tecnológica dos anos 50 e 60 (ponto para os EUA!), que permitiu o surgimento de novos equipamentos, a blimpagem nas câmeras, tornando-as mais leves e silenciosas, o Nagra (gravação do som sincrônico) e, sem mencionar a influência direta dos profissionais de TV. Entendeu meu Sr.? Não sou contra os EUA, sou contra esse mercantilismo exacerbado e voraz, que sufoca filmografias mundo afora e, com isso, prejudica o trabalho de profissionais tupiniquinsdasilva como o colunista que vos fala, o câmera que não tem como falar, o roteirista que nem fala mais nada...e vai, vai, vai...
"Segundo Caderno", "O Globo", 14/11, vejo entrevista com o roteirista francês Michel Fessler ("O Menino que queria ser urso" e "T'choupi")...tá, eu podia ficar na minha, mas ele tocou em um ponto que acho fundamental, fala Fessler: "...Há muita imaginação e desejo, o que falta é prática, é trabalhar a técnica cinematográfica.", isto ele afirma para dimensionar o "fazer roteiros infantís no Brasil", mas será que não podemos aplicar essa frase para o cenário como um todo? Pensem comigo: nosso "fazer cinema" sempre esteve atrelado a ciclos, altos e baixos que, se criaram euforias lucrativas, também prejudicaram o desenvolvimento de uma regularidade produtiva, sim, afinal, nossa indústria fílmica nunca saía dos fundos do quintal, produzíamos, parávamos, vacas gordas, crises, e assim íamos até a próxima esquina...hoje, nessa re-retomada, vivemos um processo mais profissional, temos, ainda timidamente, o desenvolvimento de uma produção em escala, nossos filmes já vão pra latinha com mais segurança, enfim, caminhamos em uma direção, não mais corremos que nem loucos...digo isso porque, nosso desenvolvimento enquanto trabalhadores de cinema, também acompanhou essas fases, e só agora, há a consciência da importância da produtividade na ingerência da criatividade. Novos profissionais surgem a cada dia com essa mentalidade, fazer, repetir, filmar, fazer...isso, e só isso, permitirá o desenvolvimento de nossos cineastas, o resto é virtuosismo barato, perigoso e carente de lampejos para render bons frutos...e concordo com Michel, contra o egocentrismo francês, Machado de Assis!!!
Em conversa com Ivan Cardoso, e conversar com Ivan é sempre garantia de boas risadas e um bom papo, tive que concordar: cinema marginal hoje em dia só o dele...na próxima desfio esse pano...
Em tempo: Alguém tem notícias do Xexéu? Cineastas, uní-vos!!!
Sganzerla, o meu obrigado, e o ouro carmim
"Você está maluco? Quer falar de utopia sem tocar no nome do Sganzerla?" Foi assim que meu leitor aflito começou o email...como ele terminou? Bom, pula essa...mas, dou razão à ele, é verdade, não falei do Sganzerla... Nada de outro mundo, se eu estivesse em outros mundos, mas como por aqui é heresia...lá vai: A obra síntese da importância de Rogério Sganzerla, "O Bandido da Luz Vermelha", 1968, representou um duro golpe na crítica da época, ainda relutante com os devaneios estéticos dos jovens do Cinema Novo, e perdida diante de tamanha efervecência. Afinal, muito antes de Stanley Kubrick e seu "Laranja Mecânica", Sganzerla já chocava aliando sua experiência visual rica, uma violência estilizada, e a metáfora da ação do poder repressor. Alí ganhava força um novo projeto de se abordar a realidade brasileira, batizado de Cinema Marginal e inaugurado oficialmente com o longa "A Margem", de Ozualdo R. Candeias. Logo após 'Bandido", Rogério tentou investir em filmes igualmente anárquicos, um mais saboroso que o outro: "A Mulher de todos", "Sem Essa de Aranha" e "Abismu", que para mim é o melhor de todos, pois consegue unir uma viagem delirante pelo universo policial ao som do psicodelismo de Jimmi Rendrix...pena que esse experimentalismo hoje em dia, e volto aqui ao tema da utopia de ontem e o mecanicismo de agora, não se faz presente com tamanha força...Só para destacar a força do trabalho do Cinema Marginal de Sganzerla, vale dizer que, há quem ache, no meio acadêmico, sua obra mais renovadora que a de Glauber em termos de diegética e narrativa, prefiro ficar com as duas...e dou a palavra à mestre Sganzerla: "Acho que foi justamente o nosso cinema, que é o mais criativo do mundo, que foi vítima de uma conspiração ambiental para liquidar o talento, que é matéria-prima do cinema. Essa gente não entende nada do que seja essa matéria-prima. Na prática é isso" Agora sim: precisa dizer mais?
Quero agradecer um convite vindo da terra da garoa, e, antes que algum leitor pergunte: "Por que não faz isso pessoalmente, ou por telefone? Email, não pode? Quer aparecer?" Eu já adianto logo: tal convite foi uma enorme gentileza, coisa de amigos, e como não tenho coluna em jornal, em revista, ou em qualquer puxadinho editorial, que permita tornar pública minha gratidão, e sei que tais amigos lerão, escrevo por aqui... Posso então? Obrigado...ei-lo: À ABCine, particularmente aos amigos Lauro Escorel e Carlos Pacheco: Muito obrigado pelo convite para a confraternização dos sócios em São Paulo, apesar de ainda não ter como confirmar minha presença, mesmo que em pensamento estarei com vocês...recebam meu carinho e admiração pelo trabalho contínuo à favor da união de todos em torno do crescimento da cinematografia nacional...e, no mais, telefono...
Aqui vai uma dica: O diretor francês Eric Rohmer terá dois filmes da série "Contos Morais" exibidos em São Paulo, cópias restauradas, coisa fina, são eles: "A Padeira do Bairro" e "A Carreira de Suzanne". Apesar de serem filmes da década de sessenta, não se surpreenda com a atualidade dos temas, da linguagem, nem com o sinismo que nos será exigido para entender as motivações dos protagonistas...enfim, já comprou seu ingresso? Quer outra dica? Essa é de amigo: O iraniano "Ouro Carmim", de Jafar Panahi e roteiro de quem? Abbas Kiarostami...se eu parasse por aí já seria mais do que bom, mas eu continuo...o roteiro foi baseado em uma notícia de jornal sobre um joalheiro que é morto a tiros e, logo em seguida, o atirador se suicida...à esse universo de violência, Abbas acrescenta o desejo de consumo e as ofensas que a condição social obriga muitos a ouvir...olha, essa não dá pra perder...depois não digam que...ihhh!!! Tá, tá, tá bom...não falo mais nada...que gente mais nervosa... Cineastas, uní-vos!!!
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